25 de mar de 2014

Minto tão pouco
pra mim, e pros meus amigos
que quando minto
ou omito algo de seu interesse
parece morrer internamente,
parcela por parcela,
cada célula expressa
no cerne meu.

Consciente sinto ascender
um discernimento dissidente
enternecido nesses
coincidentes conhecimentos
de nós mesmos.

Assumo, então, um suprassumo
de tantos saberes poupados
presentes e assíduos
dos atos falhos, ralos ou vacilos
a que nos prestamos
e dos resultados colhidos, assimilados,
lidos no calo da labuta,
na pressa astuta, no sulco ácido,
elaborado e aprendido,
ditado em versos e lados altos
ladramos ainda algumas mentiras
como essa de aprender com os erros.

Carola Bitencourt
25/03/2014

24 de mar de 2014

"com açúcar, com afeto"
fiz cuzcuz marroquino
pela primeira vez
o filet tinha açafrão
muito tempero fino
pra exposição tinha cortesia
era pra facilitar sua ida
o jazz depois serviria
um bom começo de noite
quem sabe de lá eu te trouxesse
pra conhecer minha comida...
uma pena não receber-te
congelei em potes pequenos
o trabalho de umas horinhas,
remarquei a exposição
pra ver com amigos
maquiei o jazz com um bom som
aqui mesmo nas minhas caixinhas.
deletei seu contato
já que não quero o que não tinha.

Carola Bitencourt
24/03/2014
acontece que mesmo a contragosto
mesmo sabendo do provável fracasso
tento
sempre acabo no mar
batendo braços a esmo
mesmo assim, continuo
parece que leio errado os recados
ou insisto em bradar vitória
sem vencer batalha
sendo algoz, réu e juiz
de uma história passada
internamente, imagino
quase acredito nas passagens
nos diálogos entre personagens
nas imagens que vivo
até alcançar o porto
batendo nas pedras postas
qual freio pro meu navio

quando o sol bate na cara
abro os olhos, os ouvidos

levanto da areia

seco o sal

agarro meu dia

refaço a vela

e parto

pra outro partido...

Carola Bitencourt
24/03/2014

22 de mar de 2014

Pra semana que vem tem
eu e a espera
Pragora tem deixa
pra amanhã
Sem demora
pra dizer que não nem
Hoje, nem a hora
Essa seta dá
danosa atmosfera
Meu beijo voou no vento
Numa espiral da esfera

Carola Bitencourt
12/03/2014

18 de mar de 2014

Soube que era a hora
Penei
Pensei que agora sobrava
faltou mais que o dobrado

descobri na cobrança
aliança descarada

dispensei

refiz a coberta
retalho quarado
cerzido fio a fito
alcançando alva
a vara de salvação
altura deveras mansa
anseio a foz, a voz e a onça.

Carola Bitencourt

18/03/2014