19 de out de 2013

Só por um título

poesia é que nem arrepio:
dá, e não se registra!
poesia grito e pio
ela tem direito de ser sinistra
pira pleno giro
grifo da via
esfera direta teima
espera ser poesia
enquanto é poema
exaspera a poeira de cima
se deixa cair na cria
confunde a semana com dia
e a chuva com clima
o sol sempre irradia
a rata se dá como filha
e o trato se quer feito falha
ingrata é a pilha
que sabe ser fogo de palha
arca com a ralha
e cadencia a história
os versos se trabalham
na estrofe que se aflora
folha branca que espalha
no instrumento diz afora
broto verde
fértil agora
hoje sente, amanhã se absorta
ontem vigora
na saudade quase morta
mosca na parede
a mão bate certamente torta.

Carola Bitencourt & Tchello Melo
19/10/2013
porque hoje é sábado. vinicinho

18 de set de 2013

vou dormir desanimada
como duvidando do ninho
não fluiu a conversa de hoje
confesso que avessa
trouxe mais do que foi pedido
não houve interesse mútuo
em conhecer interior alheio
ontem ficou vago
sem sobremesa pro banquete farto
dos outros dias
diria que morre um pouco sem mesmo nascer
essa historinha pra dois dormir

já sabia que sanada a falta
de atenção que tivesse
de antemão me traria
a foice pra cortar a tira
fina e puída
dessa nossa conexão
extraída de uma roleta russa
entre falos soltos, falsos gostos,
gestos ralos e jeitos rotos
ri um bocado, gostei mais do trato,
gastei dedos teclados
mas descrente que me tornei
desacreditei mais uma vez
que vozes certas me viriam
abandono por hora novamente
a diferença vantajosa
da esperança corajosa
que teima em queimar
quimera,
quem me dera...
...já não consigo imaginar

Carola Bitencourt
18/09/2013

9 de set de 2013

meu rosto não é simétrico
meu senso não é concreto
meu círculo não é aberto
meu suco é cítrico
meu cheiro é mítico
meu posto é módico
minha postura é apóstrofe
minha cintura é agnóstica
minha ciência é póstuma
nossa constante é péssima
nosso castelo é lápide
nosso concerto é rápido
os passos são lentos
os poços são rasos
os poucos são raros
essas saídas são escassas
essas assíduas são parcas
essas sisudas são vagas
toda palavra vaza
toda armadilha escapa
toda razão sufoca
pelo pedido de pele
pela saudade repelida
me despeço sem pressa
essa dispersa perdida.

Carola Bitencourt
09/09/2013

Volto a cama larga
lascivo vácuo latente
teimando me lembrar
a lacuna oca de presença
Pura poeira pairando diurna
numa dimensão que já foi única vertente
Valido a volatilidade veemente
quando abro os braços
e insisto que há verso ainda não escrito
cumpro cada pena
dessa sorte pesada
criando minhas iludidas moradas
no colo alheio
coloco pingos doloridos
nos "i"s de todo indivíduo
duvidoso tanto quanto atraente
trato de tentar
Tardo em trocar
toque com tato
o fardo esfarrapado
que é relacionar
meu sentido com o oferecido ser
que finda cedo ou em parte
sedento do que sedo
sem satisfação aceita em mim.

Carola Bitencourt
26/08/2013

5 de set de 2013

Nem todos os dias são assim tão bons. Há dias em que o sorriso sai esplêndido por obrigação e se retrai tão rápido que nem parece possível que tenha aparecido. Há vezes em que não se alcança o objetivo e tudo que se quer é outra coisa que não consegue achar, ou porque não está disponível ou porque simplesmente ainda não existe.
Aí você insiste
e hesita em desistir
porque do contrário qual seria a razão de todo o resto?
Resiste em reaver
a vitalidade
porque
na verdade
não pode crer
na cruel realidade. Em alguns dias a noite serve somente para abraçar a escuridão com o breu absoluto. Resolve que é melhor se cobrir de um certo luto pra começar os estágios o mais rápido possível, a fim de que se esvaia logo toda reclamação e então, quem sabe, outro dia mais ensolarado surja.
É a criação da esperança te trazendo
alguma solução
pro que se sabe insolúvel
e de tão concreto vira
insólito monolíto
no universo rarefeito das nossas sensações desastrosas e desajeitadas.
Nesses dias o som correto é Radiohead, a bebida é vinho, comer não faz sentido e o melhor amigo é o par: caneta e papel.
Nem mesmo piadas, ou boas histórias acompanham esses momentos. Mas, fique tranquilo. Momentos que são, vem e vão, dão e passam.

Carola Bitencourt
05/09/2013

4 de ago de 2013

Falar
falhar
arfar
afanar
foice
do feito.
Verbo
vazado
haste
afeto
fertilizado
em fonte
fadada
ao vórtice
do corte
sanado
no centro
do ceio
razoável
vez ou outra
aprazível
abrangência
ciência
sucinta
infinda
na face
foz
feita
em fonema
imagem
emblema
significado
cadência
de tema
amaciado
no leito
no peito
apertado
no lema
calado
quente
quietado
querido
quarado
no sol
do sou
do sois
nós
noz torta
a orca
work
wonder
how to get it
ao gueto ir
içar
sadio
ditado
até
o jeito
dormir
sono
certo
sabido
proveitoso
e suficiente.

Carola Bitencourt
03/08/2013

Olhar no espelho
e querer beijar-se
bocejar o externo
tracejar silhueta
ser esperta em dispensar
a estreita repetição
Pedir somente o que se põe
Entre o céu e o chão
do seu próprio sistema
gravitacional e sereno
umidificado na unidade
nada seca
fada quase
in case: foda-se
caso de fala
poder de sexo forte
o seu, em falo
que tem mais que o básico
batizado na reza branda
folha de transparência
copiado no desenho já metrado
do quadradinho mensurado
na mesura da matéria materna e comum
como num melhor maquinário descrito por esfera e etc.; ...

Vociferado em seguir o segundo continuado
por pura falta de apurar
a partida solta na pátria do próprio país...
seus pais te deram toda base
e nesse passe de serpente
paço vira rastro onde
esconderijo não se tem.
Até que se chegue ao cio
do cérebro
e nele ovular a congruência
da espécie congratulecente
(essa palavra estava gravidada)
nascendo mesma inquietude dessabida
entre a sapiência de repartir
e a multiplicidade de nem sempre dividir.
Vira mais velocidade
a quantidade intencionada,
que trazida qualidade,
no teor da palavra usada
enquanto a idade sobra
e as horas do dia faltam
quando a borda da mente exorta
capacidade do tratado
corta.
Ante a infinitude do dicionário
cientificamos a conformidade
em não achar limite,
incluímos a sorte
na matemática exata
E abraçamos a parte
que já se perdeu na concreta crença
cédula da moeda trocada
em valor de taxa
mitocôndria hipocondríaca.
Se o falo te falta
falha mais que o fatídico básico
se a folha te fala
forma abastada satisfação.
Posso dizer
sempre melhor não se render
entender a postura zerada
de saciar você mesmo
 este ente
enternecido no merecido ser completo!

Nota ao pé da página
_ Normalmente textos menores são mais lidos...
Lido com a vontade
disparada na ponta dos dedos
por isso, nada digo
que não seja o mínimo
suficiente compreendido
ante face da ausente
necessidade de um umbigo_

Carola Bitencourt
03/08/2013

29 de jul de 2013

Mania de rimar me mata
Ata uma estancada criativa
desvia atenção e mantém
aquela maneira cativa
de rimando o vício
mimar poesia de vai-e-vem
Virtuosidade saturada
mesmice de fazer o fácil
indócil
caneta calibrada na palma
dedo viçoso treinado
Nada mais se faz novo
Tudo é parte do todo
Esmerilhado no costume
de macerar letra no entorno
da página já esculpida
nessa lida árdua da escrita
que hora sangra feito jorro
hora pára gotejando suor socorrido
à piedade do próprio corpo
escorrendo pelo sentido
de rimar mais um pouco.

Carola Bitencourt
22/07/2013

19 de jul de 2013


Já houve momento histórico e gente mais interessada em regurgitar a podridão engolida por obrigatoriedade, socada a golpes de democracia goela abaixo.
Democracia. Palavra concreta. Sentido desconexo.
Enquanto a maioria burra escolhe o presente empobrecido por um complexo de inferioridade, onde se sentem não merecedores de direitos básicos e se trancam nessa ignorância arraigada em séculos de escravidão, que ainda perdura no interno de seus cernes, os mais astutos se enrolam na incapacidade, ou na falta de falácia, para repassar o entendimento de qualquer consciência existente aos menos favorecidos de informação.
E é nesse embaraço social, que não chegou ao cume do caos, que alguns poucos acordam pra gritar vaia no vão do coletivo.
Incrédula, sem esperança de melhora imediata, penso que será necessário chegar a uma calamidade ainda maior pra que esse tal gigante se levante das pedras portando sangue suficiente pra extrair a obrigação moral dos governantes ou subtraí-los de suas posições.
Enquanto a unidade for estrábica, continuaremos nessa marcha estática, cansando as pernas e gastando a garganta à toa.

Carola Bitencourt
19/07/2013

23 de mai de 2013


"ando tão a flor da pele",
e ao mesmo tempo tão dentro da casca
costurando minhas moleiras
pra não cair no esmo do mito
pairando pela beira do morro
matando o cisco do olho
com sal, cimento e sentido
o grito do cão ecoou
escoando a sombra da noite
desejando o solstício
manhã se apresenta sucinta
suspeitando a serra subida
"besteira qualquer, nem choro mais,
só levo a saudade morena",
e meus pés no vento que vem
da mesma matéria oxidada
do mesmo tema maciço
sambando no tempo temido
quarando as bocas no sarau
molhando as línguas no mel
derretendo a vista no cal
sol me beija carinhoso
o dorso, o rosto, a cara e a face
satura meu sonho de paz
materializa a sorte
me acode, me traz
de volta
voraz!

Carola Bitencourt
23/05/2013

27 de fev de 2013


Veio aquela voz
que diz não;
e na cabeça soou: agora!
quando tudo parece sem efeito
o suspeito satisfeito te retrai na foz
faz tanta corda sem preço
que toda razão de ser se dá esquecida
nessa regurgitada antropofagia
se afasta a doce alegria
de nascer fiada alergia
e o que se tem é
nada mais que trocentas mornas filosofias
do que se deve, se teme, ou se deveria.

Carola Bitencourt
27/02/2013

1 de fev de 2013

Pela pele pulo
pala de apelo em lupa
grito sussurro surdo
Falo a falta que faz
Por poder pedir a poda
de mais uma mina irmã
explodindo ao explorar explicação
Ouço e caçôo dos conselhos
que espelhos perplexos perfilam
entupindo meu tímpano
me dando o dano da anedota:
"Creia, Carola, querida
existe um exigente gentil
pra parar sua procura!"
Dizem desdenhando condizentes
com o calo que cala o colo.
Minha mania maneirada
contendo o canto tencionado
nessa sanada sede sedentária.
Repito o pitaco partido:
Serei sã certamente
em manhã sem mãe ou manha
só sentirei sátira soltada
na cara corada no couro colorido
de dúvida vivida dividida.
Pretendo perder o preterido
enquanto o tanto for taciturno
Prefiro furar-me a ferida
do que parafrasear aparência pró-ferida.

Mantenham-me minada, amigos
ao menos nos menores momentos
Tenho tido tantos motivos
pra travar trato em termos tristes
que se decidisse dizer,
dissuadiria sem suar
sua sapiência paciente.
A um dia de disritmia distante,
tenho direito, de derreter tardia.

Farei força focada em ceifar
a fonte de aflição infinda.
Voltarei voraz valendo a levada
de mãos amadas dadas a mim
Hoje, hajam com jeito
meu sorriso sairá com sorte
duradouro, divertido e verdadeiro!

Carola Bitencourt
01/02/2013
Não é fácil, mas acredito que seja o melhor.
Tento sempre perceber onde me deixo
pra buscar de volta quando preciso.
Gostei tanto que ainda dói,
mas não me prendo ao pouco,
se não houver retorno
me refaço outra vez e entendo
que a gente poderia ser maior
se não quisesse a perfeição.
recados sem nome não me são endereçados,
recebo somente o que me tem como postado.
Adoraria aceitar o que vc diz trazer.
É uma pena não sentir a sua pele,
mas adelle já me deu lição pra aprender.

Carola Bitencoourt
01/02/2013

30 de jan de 2013

fiz o cortejo
cortei o jeito da cor
ruborizada numa força de hulk
verde
em não se envolver

vi de longe horrorizada
aquela verdade velha conhecida
me espantei como moscas pousadas
na pele de loucas varridas

virei outra página áspera
na espera de um recomeço
tentando apagar o vício
li já escrito o texto:
enquanto não aprender
refaremos o exercício

Carola Bitencourt
30/01/2013
according to you
we should be apart
there's no great end
with this brief start
i know where i'm at
but not for too long
if we can't have a moment
just for our own
talking is good
and i like it much
so, don't think i'm a fool
i won't stay in touch
if i realize,
my dearest,
going way
is for best.

and here i "went"

Carola Bitencourt
29/01/2013

27 de jan de 2013

já tentei. fiz um texto. a conclusão não saiu.
quem sabe a conclusão se faça sozinha no branco do tempo e da folha?
quem sabe ela se distrai na hora da sorte e da escolha,
talvez seja só passada
ou pode ser morada que nem torta de maçã.
talvez a nação espalhe que foi só outra vida vilã,
que ainda não nasceu, e eu no escuro da noite vi ascendendo
uma porta vã.
pode ser só um parto mal coitado, se estendendo.
ou uma vez dissimulada se ardendo,
mas a sujeita sacana me provoca.
faz a cara torta parecer a horta onde colho o açoite.
traz aquela certeza que não conheço
e me aflige o peito apaziguado.
queria esperar bom grado
em me deixar de fora desse mal-trato
quando o que mereço é só amor acolchoado.
entendo que a força prevaleça,
afinal somos todos in-defesa.
pensei que o ser eu era mais importante.
agora entendo que ser "mim" mesma é mais sério do que imaginava...

Carola Bitencourt
28/01/2013

22 de jan de 2013

não acreditei aceite tão maciço
nem me preocupei em caçá-lo
veio sem que eu pedisse,
e se instalou num broto de gravata
como nódulo de caule
com certa cautela se envereda
esverdeia uma primavera tardia,
mordida com cuidado e vontade.

enterrei o medo
enternecido nessa noturna embriaguez
agora a hora tortura
sombra tortuosa de saudade
faz um dia virar minutos contados pra mensagem,
e o torpor sentido nesse novo ardor
é treinamento de paciência pra iniciantes...

Carola Bitencourt
22/01/2013