19 de mar de 2012

Papai Paulo me suspira
umas me tiras do on vido
Não inspira pelos pulmões,
mas dá sopro de força aos dedos
batendo nas telas de letra, pretas
a supetões de martelada
duma mente malacalmada
dormindo na cama durante o dia
pra curar amidalite inflambada.
Limão, chá de sumiço do trampo,
e tempo jogado em hora sem proveito
com único objetivo de ressuscitar células
com antibiótico, anti-sócio, anti-feito
nesse momento a monotonia é a solução
descansar o corpo e não engolir pão: porque dói.
Sopa, água ambiente e muita febre de vontade.
Só vontade, já que a execução foi adiada
pra quando a patologia for apartada.
Despertar o celular de doze em doze
E não esquecer o copo pra descer o remédio
Ironicamente grande pra quem tem as vias fechadas.
Uma folga perdida em casa,
e uma ânsia de não pegar mais vento de madrugada
que obviamente será esquecida
depois de uma semana curada.

Carolina Bitencourt
19/03/2012

14 de mar de 2012

Não sou uma pessoa de um grande talento incrível.
Sou pessoa de vários talentos pequenos e únicos.
As vezes finjo que o SBP é uma lata de spray e grafito a morte dos mosquitos no ar.
Quando pinto as unhas do pé, imagino que são o branco nos brincos de pérola do quadro barroco de 1900 que pintei em outra época.
Faço uma varredura no disco rígido do cérebro toda noite, ou dia, antes de dormir. E desconecto as mensagens instantâneas entre meu córtex e seus núcleos quando bocejo o último soneca da máquina de pensar.
Se assisto um filme sinto a lágrima escorrer na minha tela por dentro da pálpebra.
Toda vez que escrevo vejo as linhas dos cadernos de caligrafia que eu percebia entre as linhas amarelas do asfalto, ao atravessar a rua de mãos dadas com a responsável.
Sou viciada em caixas de sapato mais que pastas sanfonadas com divisórias.
Começo o banho lavando a mesma coisa que lavo de novo quando termino.
Não sou uma pessoa de um pensamento incrível.
Sou uma pessoa de pensamento aberto!

Carola Bitencourt

12 de mar de 2012

O relógio bateu errado
Deixei uma guitarra partida
e um coração quebrado
Um fala muito
o outro pensa pouco demais
Minha vontade agora descansa
entre uma pista redonda
e umas rodas minimalistas
quase o círculo que piso
quando o riso força as vias lacrimais
Olho praquele que deu à deus a deusa
see you later alligator
goood bye!

Carola Bitencourt
12/03/2012

1 de mar de 2012

Vem me iludir
Me rasgar a cicatriz
Vem me dar o tapa na cara
Por puro gostar da brutalidade
Vem amarrar minha mão ao santo
Vem me cuspir o pranto que jorrei
Traz meu verdadeiro pânico
Em forma de travesseiro
Pra acompanhar os sonhos que durmo

Vem saquear minhas boas lembranças
Corte minha carne cerebral flácida
A fim de expor minha fragilidade
Recrie o monstro debaixo da minha cama
Gargalhe da minha esperança
A ponto de ser o cristo vestido de demônio.

Sove minha sorte com galhos de azar
Corte as asas que acabei de sarar
Bloqueie com muros espessos de cimento
Meu céu azulado e livre
Quebre minha auto-estima em cacos
Aposte todas as fichas no meu fracasso

Seja o capataz
A me laçar as pernas enquanto corro,
meu algoz, a me ralar a pele.

Seja quem você é.
Deixe-me no pó da fogueira
Cinza esfumaçada.

Meu bem,
Só não se esqueça:
Todos esses tratos maus
são curáveis.
E me servem
Pra clarear a consciência.

Quando erguida,
A única coisa que não ressuscitará
Será você
Dentro de mim!

Carola Bitencourt
11/08/2011