26 de dez de 2011

To ficando com um "gostar" cada vez mais peculiar...
o que acho bonito, os outros acham feio
e o que abomino, outros lambem pelos dedos.
minha verdade se debate entre a razão e o sentir.

o frio não me gela:
me queima
assim como as pálpebras transparentes
com as quais visto os olhos antes de dormir.

se espero o word se abrir pra escrever o poema
quase todo ele se escorre antes que eu comece a desenhar o tema...

a vontade vem de nunca mais

de uma terra distante num rumo sem horizonte,

qual linha de barbante será minha corda bamba ambulante a ligar as vias de um norte alcançavelmente assaz?

Outro ano que se delonga em acabar na última semana
E os dias cinzas de um verão que esfria na segunda,
sem querer me dizer pra ficar na cama, antes das horas úteis atuais

quantas poses serão necessárias pras noitadas que não quero mais?

Só meu corpo diz o que ouço amém,

meu desejo é o de me manter no ensejo de não perder o espírito de hoje, nem a vitalidade de anos atrás

E onde estará meu bem,
que ainda não conheci, nem me disse olá através das vidrassas na rua, ou de um cartaz colado no poste com a legenda: procura-se
“para amar e respeitar,
até que a morte do amor entre si os separe”.

Que noite é essa, onde escrevo sem dó, na pluralidade de um momento só, sem a falta, alguma, de uma companhia além da minha?

Estarei ausente nas festas sem lei, em que tudo que se ve é o desespero sorridente dos sujeitos carentes, se tornando substantivos frouxos, sem adjetivo que não seja pejorativo, e um coração remendado a esparadrapo nada curativo, e pouco lucro da altivez.

Virarei sozinha sim.

Um réveillon feliz.
já que a mim, me fascina
a lucidez!
e tão mais tempo passe entre eu e eu mesma,
até que o espelho me dê de volta o que entreguei sem pedir permuta, sem pedir, sem querer...

Carola Bitencourt
26/12/2011

19 de dez de 2011

Acelera o coração corroído.
Ele passa com um riso frouxo de canto de boca
com pouca pompa mas alguma malemolência.
Nem sei dizer se o peito ferido
aguenta
outra flecha do bandido cupido
mas que espeta, espeta.
A espera da resposta certa
quando o calor deu lugar ao frio
se torna banho de grito fanho
vontade apertada na garganta seca

Quem dera meus olhos tivessem legenda
e ele assistisse minha beleza...

Carola Bitencourt
19/12/2011

18 de nov de 2011

Hipotéticamente falando
tristeza ficou tísica,
alegria tomou conta da estética
Raciocínio se apossou da força física,

Num único passo
o fim ficou por um fio

E de um lastro à eternidade
o grito entornou o pio.

Carola Bitencourt
23/10/2007

29 de out de 2011

Bom dia, flores do dia!!!
Aos amigos que se foram, saúdo sua existência infinda dentro da minha, com tanto amor quanto pude dar-lhes enquanto estavam corpulentos em nossos rodopios pelas noites artísticas!
Hoje o dia é de sol! Bom dia luz! Hoje é dia de batuque, e adicionarei as minhas peles de alfaia, um quê de saudade, sem deixar que o baque da ausência destes seja sentido ou faça sentido. Porque todos, os que foram e os que permanecem, merecem alegria, o alimento maior da vida, e chorar pelo leite derramado é só maneira de aumentar o volume do rio!!

Hoje não é dia de pesar e tristeza.

Hoje é dia de pesar a mão na baqueta,

e se esbaldar nos copos sobre a mesa!

Comemorar a liberdade dos poetas!!
BOM DIA, FLORES DO DIA!!

Carola Bitencourt

29/10/2011

24 de out de 2011

Ando comendo mais chocolate ,
caminhando mais devagar e trocando a pressa por força de vontade.
Ando mais certa de não errar a toda hora
de ter mais falta de saco do que de paciência
Tenho tentado e conseguido
seguir um único objetivo sem esperar que ele venha sozinho
até mim
Até eu, que sempre achei fácil desgostar de um
agora passo a lembrar de esquecer
pra não perder a mão e erguer minha felicidade do chão.
E se me aparece uma flor,
não mudo de calçada, não dou risada
também não a arranco da raiz pra levar comigo.
Agradeço a espera por me manter sincera
em dizer que cada braçada puxa uma pernada e mesmo nadando no seco
Ainda persisto em buscar o pódio e não mais o ópio óbvio.
Ando ando ando.

Carola Bitencourt
24/10/11

10 de out de 2011

O Big Ben está torto
A Pisa ao Berlusconi já foi fatiada
Meu Bem já não tem Dona
e o relógio ao meio dilma
toca teen badaladas.
O universo se expande
no inverso de comprimir
certeza mesmo só a de que um dia
deixará de existir.
Tirar teima é coisa da TV
orgulho é lindo de se ter,
ser cabeça dura é um charme,
e quem duvida de si mesmo é pobre
(de espírito)

"Sol fazia, só não fazia sentido"

Isso é do Leminski
que ainda não tem nome de lar,
já o coitado do Bukowiski
deve estar a revirar
seus ossos apodrecidos no túmulo.
No seu bar só tem riquinho fedendo a colônia,
gente insossa e o tumulto de quem não consegue pensar.

O que era visual
agora não se separa do ouvido,
o minimalismo virou pontual
e pra fazer arte tem que ter canudo,
e ver os minutos repetidos.

NOSTRADAMUS

ou melhor
NÓS TRAGAMOS,

ou..
NÓS ESTRAGAMOS...,

previu o fim do mundo!

Carola Bitencourt
10/10/11

30 de set de 2011

Estou tão cansada que chego a ser capaz de mentir.
Eis que
Desço dos 14 andares pra fumar um cigarrinho, tentar me manter acordada depois de mais de 13h em pé, na maratona do hilariamente chamado RIR, tendo dormido nada mais que 1 hora e meia.
Já são 15 horas e alguma coisa e os resquícios de energia que me sobram depois de tanto fervo e trabalho se esvaem com a fumaça que solto pela boca.
Surge então um ser absurdamente sorridente com um Black Power respeitável, magra, com sua simpatia reluzente e um texto pronto que não me deram chance de muita reação.
Objetivo: vender perfume, no mínimo demonstrá-lo.
Poderia ter usado mil subterfúgios, dizer mil coisas, qualquer uma que fosse desde um simples “desculpe, não quero!” que seria engolido com maior simpatia ainda, e me daria a função fácil de fechar o sorriso meia boca que eu tinha pra dar, e transformá-lo numa tromba gigantesca a esguichar-lhe um “qual a parte do ‘não quero’ você não entendeu?”
Ou mesmo: “querida, você é um amor de candura, mas já to dura e estamos no fim do mês”, mais uma chance de vir um revide, hoje em dia se faz qualquer coisa prometendo o pay day.
Haja saco!
Depois de tantos sorrisos recebidos, tanta velocidade em tramar uma frase na outra, a fim de não me deixar dar fim e fugir, já me oferecendo um frasco de algum cheiro disfarçado de charuto, fui vencida pelo cansaço e menti (descaradamente):
- Gata, desculpe! Não uso perfume.

E deu certo!

Carola Bitencourt
30/09/2011

22 de set de 2011

Vida que segue!
Alívio que volta
ar que refastela brônquios
broncas internas fazem efeito
distância causa calor no peito
E o respeito recíproco por si mesmo
esmero na hora de dar grito
liberdade chega no meu estribilho
Revirei páginas pra colocar em ordem o livro
evoquei as sábias pra espalmar a queda
amorteci por carinho
caminho sem fim até a sorte
ressuscitada por sopros de vício esquecido
Eu disse que quando me refizesse
sua presença teria morrido!
Depois não diga que não avisei!

Carola Bitencourt
22/09/2011

21 de set de 2011

Vi um vídeo da Esperanza Spalding agora a pouco. Como sempre me atendo a cada detalhe, além da qualidade, atentei para o combinado da vestimenta dos músicos que a acompanhavam. Quase terno, cabelos terminantemente convencionais e um talento nada parecido com a imagem estereotipada de um bom músico, ou os que a gente reconhece por aqui. Me lembrei deles. Esses músicos nossos que se esforçam tanto pra parecerem artistas e que aumentam cada vez mais sua esquiZitice pra destacar-se dos demais mortais que a seu ponto de vista não são artistas por não fazerem parte do que eu chamo de arte convencional (Dança, Teatro, Cinema, Baixo, Bateria, Pincel, ...).

Coisa essa, aliás, que caberia em outro texto, mas que defino aqui em algum pedaço deste: Considero arte qualquer trabalho bem feito. O cara que toca um violão de rodinha de luau e se considera o tal por fazer o melhor que pode, é nada mais que um mero aspirante a centro das atenções. Me vale muito mais como artista um engenheiro que não deixa o prédio ruir, ou o barco afundar. Artista não está no que se faz, mas em como é feito.

Travo a respiração quando percebo que um “poeta” me vem vender seus versinhos copiados do jornal de domingo (que nunca imprimiu poesia) e enche a boca vazia de dentes ou boas ideias pra dizer que É poeta. Assim como me inoja gente quem me critica por eu não dizer que sou poeta, quando me assumo nada mais que uma exercitante da língua. E me basto por isso, por essa!

A crítica cai, o ofício fica.

Então, lembrei de como minha visão liberta está subordinada a estas mazelas ensurdecedoras fincadas no meu, e talvez também no seu, fluido neuronal. Não reconheceria estes dois sujeitos acompanhantes desta MULHER com todas as maiúsculas, diga-se de passagem, caso não os visse impondo suas ferramentas.
Fiquei pensando em como já estive a mercê dessa alcova covarde de julgadores de essência espalhados por esse mundo. Por muito tempo achei que minha veste, fosse minha pele, e que minha pele deveria transparecer o que reluz por dentro do meu crânio. Oh!

Parei há tempos com esse desespero.

O que define um artista não é seu ar despenteado, nem seu all star surrado. Tampouco sua “blazezice” ou sua camiseta Clockwork Orange tatuada toda sexta feira no peito. O que define um artista é não enferrujar, é ser nerd tanto quanto sua tarefa lhe exige. É usar a matemática física do gasto de tempo com o exercício e a prática infindas do que se tem de fazer cada vez melhor: ARTE.

Carola Bitencourt

21/09/2011

13 de set de 2011

Já não era seu cabelo mal cortado,
nem minhas unhas por fazer
Não era pelo abraço distanciado
nem pelo beijo obrigatório
Já não era pela mesmice das suas músicas repetidas
nem minha falta de inspiração
Nunca foi pelo seu sarcasmo reforçado de rancor
nem meu disco arranhado na mesma posição,
não foi porque desgastamos a pele um do outro,
nem por ter forçado o riso
quando o choro era a vontade.
Não foi porque eu queria dizer
e você já não olhava.

Foi porque pra agradar eu deixei o cabelo
e você, a barba crescer:
No meio de nós dois:
já não éramos eu e você.

Carola Bitencourt
13/09/2011

2 de set de 2011

Éramos eu e ele primeiros. O cabelo dele grande liso, se enrolava no meu e de mais algum pedaço de corpo chafurdado nas almofadas do sofá, revirando plumas da bagunça que resultara nosso rodopio sincronizado pelo cômodo. Me enterrei naquela barba, segurei pela nuca. O arrepio frio vindo da janela escancarada subia pelas costas minhas sem incomodar. Doados ao espírito da entrega sem reconhecer rosto, sem lembrar da história individual, sem querer saber mais do que se entendia pela respiração acelerada e sonora. Agora era a hora certa, do jeito certo sem preposição marcada, nem cobrança crua, ou qualquer pensamento no próximo segundo. Enfim, conectos, perplexos pelo acerto em caber perfeitamente, somente satisfazendo a carência do que fosse e reconhecendo o sorriso no olhar entre aberto e fechado. Depois de toda a dança, do banquete, e do manjar, caídos cochilados entre cochichos de idealizar a próxima.
No terceiro assobio de sono, sorrateira, e silenciosa me fiz deslizando até a saída. Corri fugida, saí antes que a convivência humana e feroz amanhecesse meu sonho e fui dormir sozinha, na minha cama com meu verdadeiro amor. Eu de volta pra mim!

Carola Bitencourt
02/09/2011

29 de ago de 2011

I’m still alive!!
I’m getting better
I’m not happy for you
But I’m gonna still be myself
There are no bad feelings that can stay
In a pure heart like mine
I’ve being fighting for my psychological freedom
And your messages from nowhere
Are not going to make me fall again

Sometimes I start wonder…
Is my slavery good to your mind?

If not, let me ask you why
Do you keep reminding me you were in my life
Whenever I give one more step out of your sight?

You had your chance,
But didn’t regret to threw it away
So, just let me be,
Give myself the peace you stole
Try to see my beauty reflected in everybody
Apart from yours.
And remember:
The one you miss much
Is the one who loves you less.
When we met you were nothing for me yet
And that’s what you’ll back to be
As soon as I set myself free!

Carola Bitencourt
29/08/2011

Nem sei porque em Inglês... Mas ficou bonitinho... rs

25 de ago de 2011

As vezes choro
as vezes tenho preça e tropeço
muitas vezes me coro,
por ver minha vontade
estampada na testa alheia
Gaguejo, decoro, e recobro a sensatez de outrora
dando goles no veneno.
Engulo troços, mastigo caroços
furo o roda da carroça,
no breu troco a manivela
por ventoinha
venho caquética puxar a linha
Carretel infindo da minha eterna disritimia
Vento paradisíaco no tufão da minha ilha
Abraço os transparentes que não enxergo
Caio no lado A dos cilíndricos
E recomeço
As vezes gargalho
viro do avesso
reviso, distraio, relaxo
Na preguiça morna
Normas controversas de agora
Retraio, não caibo,
E findo

Carola Bitencourt
25/08/2011
Quantos foram?
Milhares.
Perdi a conta dos olhares
gastos sem preceito
aceitos por lugares estreitos
sem a mínima (dor)
ficou só o (pó).

Agora foi diferente...

Ora me vejo carente,
ora uma ova: MULHER
Independente e só!

Quero sair desse beco
tomar um erro como possibilidade
de já te-lo gasto.
Estou passando as horas
me convencendo de que foi ótimo,
nem que seja só pra não me arrepender.
Estou mentindo as mesma mentiras que ouvi de você!
E acho bom que tudo isso tenha acontecido
Assim me torno mais sucinta,
mais sabida, sapiente, mais auto-consciente
Nunca guardei rancor.
Não vou começar hoje.
Mantenho nos olhos a cor
de quem me amou rangendo os dentes.
Tudo isso só pra ter de cor
a lição tomada.
Pra não cair de novo
sem estar preparada.
Morro de medo de altura,
mas não deixo de subir.
Odeio gente que se exibe
e nem por isso paro de aplaudir.
Só pra ver até onde vai meu limite.
Pra sentir até quando vou aguentar
que você me irrite.
pra doer um pouco mais
antes de deixar você no cais,
a mercê da maré
enquanto eu me embrenho na mata
do continente firme.

Carola Bitencourt
25/08/2011

21 de ago de 2011

Não me arrependo do que faço
mais
se correr atrás é humilhação pra vc,
yo lo siento, pero
meu desespero é não sentir!
Se tudo que faço é descabido
o motivo é não caber em mim,
me sobra.
me trinca a casca
me abre a membrana
me lembra da parte humana
do mundo.
Se o que não sou desagrada
o que agrego é mais
sustento
Tento, tento, tento.
Sou Janis sem Jimi
sou preguiça sem vício
sou gelo que não derrete.
sua dormência só me traz
esforço.
Sua indiferença vai me dar mais gosto.
E o gesto será sadista
quando não for por prazer.
A independência que busco
não tem satisfação.
A criatura que uso
não tem falsa intenção.
Você vai, Eu fico
"Back to Black"
Sem medo de doer.
Meu ser, sou eu
sou roxa, pintada
Sou sarda estrela
céu de madrugada...

Carola Bitencourt
20/08/11

15 de ago de 2011

E todos os planos que ficaram sem realizar-se?
Vão pruma gaveta, são guardados, mas nunca esquecidos.
E as promessas de amor eterno?
Continuam! A forma de amar é a que muda.
E as gargalhadas acompanhadas?
Tornam-se um risinho tímido, mas gostoso, lembradas sozinho.
E o beijo quente, arrepio apaixonante?
Viram abraço apertado e um carinho reconfortante.
Que dizer da sua lembrança que não arreda pé?
Me deixa nostálgica
arrecadando memórias
dentro da minha rouca rapidez em esquecer...
Talvez um dia,
tudo não passe de mágica
e a rotina que nos desmascarava o encanto
possa revirar nossa consciência
Talvez já não nos vejamos tanto
e a dor de não poder cuidar
seja nada mais que um motivo pra cuidar de não deixar doer
Amo saber que o amor existe
que o dei a você
que um dia seremos os amigos que até agora a paixão não nos deixou ser...

Carola Bitencourt
15/08/11

7 de ago de 2011

Todo fim é um novo recomeço. Melhor aquele que sai sem saber pra onde, do que aquele que fica esperando a onda varrê-lo. Bom saber que toda maré bate na areia certa. Só bate porque a força é necessária pra moldar os cacos, os rastros, os grãos e as peles.

Falando em pele: viram poeira. Metade do que vc joga no lixo, quando limpa a casa, é pedaço seu que já foi descartado. O corpo se renova até não ter mais força e tornar-se senil. O cérebro (se vc deixar) não se perde nunca. Tenho certeza que mesmo os esclerosados continuam pensando, vc pode não concordar com eles, mas que eles pensam, pensam!

Vou gastar toda a massa encefálica que tenho até que toda ela vire massa cinzenta! Sou só núcleo, sou só o principal, e os detalhes me fazem o todo.
Sentir é tudo que tenho. Não vou desistir! O mundo é mesmo a merda que escondem de vc quando inocente e novo. O simples fato de me conhecer me faz ter esperanças de que há melhor por vir! Sempre admiti minhas fraquezas e só isso já me faz mais forte. Não me faz mais desejável porque a maioria se assusta com os realistas. A evolução é dolorosa. Imagine um bicho que, peixe, começa a ter pernas. Se isso não doeu, a anestesia criada pelos “humanos” foi só um paliativo.

Gostaria (do auge da minha incredulidade) que alguém concordasse mais com esse texto do que com todos os outro, mas pra me fazer clara preciso de um USB cravado na nuca e um HD de milhões de megas acoplado.

Espero sinceramente que o que escrevo sirva pra mais alguém além do meu ego e do meu diálogo solitário e sadio. Que os poucos que visitam essa página tenham aproveitado tudo que tento oferecer e continuem. Que não sejamos, nós que ainda lemos, os mais escrotos, os mais egoístas, os mais pra dentro, ao invés de intro-expectativos.
Esse texto não tem estética, não tem a função de ser admirável nem de me fazer admirada pela qualidade da escrita, nem de criar curiosidade.

Tem a função de desabafar o que ninguém vai entender e ainda assim precisa ser dito.
Cansei da ditadura da qualidade, pela crítica absurda que faço com tudo a minha volta e principalmente com o meu interno.

Quero entender o direito de ler, ou não ler, que vc tem quando clica no link que eu publico. Quero esquecer que a gramática mudou e vamos ter que fazer a 1° série de novo só por isso.

Fiz um blog porque tinha coisas a dizer, mesmo que não fossem escutadas. Porque quero expor a qualidade de ser franca! Fiz um blog pra mim, e agradeço por vc compartilhar da minha maior pureza!

Cheguei na hora! Estou aqui e não arredo pé até que todos queiram a perfeição como objetivo, mesmo que inalcançável! Não aceito menos que o melhor, podemos fazer muito mais do que isso! Basta não se sentir o único no mundo!

27 de jun de 2011

Não tenho medo de sangrar
Nem de doer
Tenho pavor da ideia de ceder à culpa
De me recompor oca
De não poder usar por não saber como funciona
Não fujo a cada cara feia
Não tenho medo de grito,
Muito embora os deteste
como a um indigno inimigo ambíguo
não economizo falha a ser testada
digo sem dó a piedade que sinto
caçoo do que me corrói
antes que me coma por dentro
e jamais me entrego
ao que já conheço.
Me estresso, me esforço
Esgarço as possibilidades
Não finjo, não nego,
Sou devez e não me escravizo
Quero paz
E por isso brigo!

Carola Bitencourt
27/06/2011

20 de abr de 2011

Rio de poucos
navegado, cateto
na geometria ordinária
come sagrada orgia
caleja mãos sangradas
no teor escravocrata do dia
Engana a impressão
vista refletida
no impresso físico em p&b
Trazendo a gana
pro objetivo subjetivo obscuro
favorecedor dos podres possuídos
Praguejando a mandinga redentora
encrostando nas bordas da cultura natural
a pedra filosofal europeia
criando encanamentos vazantes
na calha do cérebro informante
dos indivíduos que obedecem ao poderoso dono dos sentidos.
Indiretas são setas fluorescentes
indicando o inconsciente da massa
na mesma direção, disfarçando
a opressão com benefícios.
Planos, saúde, seguros, ajudas de pouco uso,
suadas e ganhas a muito custo.
É justo??
Até quando a caverna será nossa morada,
nosso exemplo, nossa condição?
Se Cristo morreu, não o matei.
Pago meus erros e confio no poder da Lei.
De acordo com o pronome EU = NÓS
e mais ninguém.
Acordo batendo panelas
pra que o outro igual se compreenda merecedor
do que não tem.
Sei que o poder dos muitos
quebra mitos
não minto!
Há de haver solução
para o que essa salada
miscigenada de nação
criou sem prevenção.
Que entre em ação
a coragem de lutar
por tudo o que é de direito
com respeito ao futuro cidadão!
Já é hora!!

Carolina Bitencourt
16/04/2011

23 de mar de 2011

Quero tanto abraço
quanto braço forte,
tenho vontade de laço
do jeito que vejo o front.
Sem concha até justifico.
Mas, sem cumplicidade
busco mais longe.
Não deixe de ser o que me arrebata
ou desata o nó do pingo d’água
na fonte!
Diga qualquer coisa que doa,
só não me doe aos montes.
na seca sou molho de cheiro verde
no úmido sou gado berrante
Quando minha sede se esvai
é quando sai meu grito dissonante
Sinto saudade sua
mesmo se estou do lado
por isso não ignore minha ira
Ela é tudo que tenho
quando não te alcanço.

Carola Bitencourt

24/03/2011

25 de fev de 2011

"Minha carne é de carnaval
eu não marco toca!"

Reviro rebuliço tal
"burca a rezbolah"
sou amigo da onça
pintada a ferro e fogo de prata
pulo marchinha
sem dar ré no pedal
jogo confete repentina
faço da serpentina corda naval
arrastando bondes pelos trilhos
teresamos todos na mesma nau.
Now what?
watch me happening!

Repique, pandeiro e tamborim
somebody que sambe, replique
dos folhetos às fotos,
dos coretos aos caretas,
dos clarins às clarinetas:
de sexta à cinza-feira
cada bloco terá
um bocado bem bolado de mim!!

"Meu coração é igual!"

Carola Bitencourt
25/02/2011

Direitos do autor:
Swing de Campo Grande - Novos Baianos
IGOR COTRIM "ENTÃO SACODE ESSA BURCA, QUERO TER VER REZBOLLAH"

23 de fev de 2011

GRÃO

BROTA

FRUTO

GENTE

BOTA

PREÇO!

21 de fev de 2011

Ele camaleão
cambaleia dançando instinto
com intuito soturno
de atravessar minha muralha
E consegue sem pressa
Certeiro no ponteiro das horas
sussurradas entre as janelas da alma
e o fechar das portas
Atua feito pluma esvoaçante
em vendaval
cintila brilho nos olhos alheios,
quebra meu último receio
e com a mesa farta
me sacia sobremesa entre os dedos
doce deleite, suspiros e aceites
sem usar manual, cartilha ou receita
traz minha fome de volta,
mesmo quando já estou satisfeita...

Carola Bitencourt
21/02/2011

14 de fev de 2011

Perco o sono mil vezes
vou acha-lo onde nunca encontrei nada além de inconsciência,
em todas elas a ausência é certeira
me marca a ferro e fogo frio
com a leveza de uma casca de noz sendo quebrada
Garanto a minha face
mais um dia de fartas olheiras
e ao meu sol matutino
o cansaço dos olhos,
que ainda brilham o sonho interrompido,
pelo zunido berrado ao pé do ouvido.
Maldita pontualidade eletrônica
que não erra vez se quer
a hora de me tirar da cama.
Cato em cada ponto
uma chance de despertar.
mal pára o motorista, atônito,
me vendo descer do ônibus
sem saber direito onde está
o eixo do pé esquerdo
ou o pedaço do calcanhar
deixado na porta da frente
no tropeço de conseguir entrar.
Sigo trôpega as faixas brancas,
tento não sangrar na queda
ledo engano
(quem me dera Ivo),
meu rosto é o primeiro a encarar o cano
de onde eu inteira não me esquivo.
Depois de uma surra de água gelada
acordo pra trabalhar
passo o dia entre dois mundos
de linhas retas, mas não paralelas
transversais sem verso nem rima
e quando a cama novamente me é oferecida
o sono,
com o qual minha batalha foi perdida
gargalha de mim
dando tchau, e começando sua corrida!

Carola Bitencourt
15/02/2011