2 de dez de 2010

Eu
era
eles.
Tal
talher
talhado,
mulher
miúda
muída.
Colhendo
cólera
coalhada,
barril,
barro,
barriga,
Afável
andrógena
assexuada,
estéril
esfera
estática,
doendo
danando:
Dominada.
Cansei,
caçoei,
consenti,
feliz
falo
falho.
Recomecei.
Respirei,
reagi.
Sarada
sou
sã.
Gritante
gruta
grudada.
Amante
armada
amanhã.
Palavra
perene
pensada,
única
unidade
úmida,
olho,
óleo,
olé.
Seringa,
serpente,
sangue.
Não!
Nunca
nada.
Capa,
cara,
Carpe
Diem,
dose
dia.
Quero
quantos
quintos
péso
poder
pegar.
Sinto
sede
saudável,
ganho
guerras
grandes,
malevolente
marasmo
maquiado,
dentro
desse
ditado.

Carola Bitencourt
21/11/2010

19 de nov de 2010

Minha falta de memória
também tem lapsos.
Digo de cór os ditados
na ponta do lápis
poderes didáticos
córo com cores rubras
os olhos pintados a óleo
dos quadros púrpuras de Leonardo.
Disfarso os cadernos simétricos
escrevendo anônima
gargalhada cínica
Retiro dos quadrados mágicos
reações químicas
quase cômicas
entre espelhos e laços...

Carola Bitencourt
19/11/2010

18 de out de 2010

Acho razoável que a maioria dos homens tenha a sensação irrevogável de que a felicidade está em encontrar criatura assaz auto-suficiente para aceitar de bom grado um relacionamento aberto, ou sangue-de-barata o bastante para o casamento poligâmico e ainda assim, feliz. Cada um escolhe o que melhor lhe cabe, dentro do leque de opções disponível. Se a utopia de amor não possessivo lhe serve, aceito sua convicção sem taxá-lo de louco, e ainda me permito, sem pré conceituar, o poder da dúvida.
Respeito, mesmo que tenha que fazer um grande esforço pra isso, a posição alheia frente aos assuntos mais variados. Faço o possível pra não incisar da corrente fluvial dos meus comensais aqueles que por acaso tem opiniões diferentes das minhas. Entendo que isso contribui para a sociabilidade geral, ou do contrário, provavelmente não me sobraria pessoa, já que não conheço um ser se quer com quem eu concorde em todas as premissas. Esperava com isso, que também fosse respeitada a minha opinião.
Aderir à postura leviana da contemporaneidade é realmente a maneira mais fácil de viver em uma sociedade promíscua e fadada ao desespero. Não sou ortodoxa, longe de mim retroagir anos de luta pela igualdade social, que continua apenas vislumbrando uma posição favorável e que abranja o coletivo. Sempre fui a favor da liberdade individual, mesmo que isso molde de maneira equivocada a imagem que eu gostaria de ver.
Não me interesso por esse mar de desejo impulsivo, frenético tanto quanto breve, do ser de ninguém e de todo mundo ao mesmo tempo. Acho miserável a existência do ser sozinho e que se satisfaz com o ir e vir de corpos, no intuito de manter em dia os desejos, como necessidade biológica puramente dita. Tratar da companhia alheia como fonte de preenchimento do próprio tempo de maneira tão egoísta me causa náusea. E ainda acreditar que isso é gozar de uma liberdade plena, me faz perceber que conhecer cultura não é sinônimo de inteligência. Se a este não sobressai o vazio tanto da cama no dia seguinte, quanto da alma durante a vida, só me basta concluir que fomos feitos de matéria diferente.
Valorizo o arrepio da pele não só pelo toque, mas pela consciência de cumplicidade. As pessoas apaixonadas são as mais bonitas, irradiam o que sentem, e se tornam mais interessantes do que as solitárias. O gozo da “pegação”, jamais se comparará àquele em que o corpo está sintonizado com o coração. Liberdade plena é sentir-se parte de um todo sem que isso pese mais que um sorriso. Amar é o mais barato e nutricional alimento que o eixo de uma personalidade pode alcançar. A completude individual é básica, não está sob questão. O ápice está em acrescentá-la a de outra pessoa.
Chame-me de romântica, acrescente a este alguns outros adjetivos que você julga minúsculos, menospreze meu ponto de vista, encare como um devaneio. Não me importo. Nada me dá mais prazer do que a sensação de saber exatamente o que quero, e maior satisfação que a de buscar onde for necessário.

Carola Bitencourt
18/10/2010

13 de out de 2010

Não sei dizer em que momento
o engano me tomou.
Sonolenta
perdi a hora em que a malemolência me deixou.
Peguei o mesmo retorno
do último derrame.
Contínuo é meu erro,
meu gasto, meu vexame
meu peito se abre inteiro
sangue em enxurrada
se esvai
como enxame de abelhas
espalhados pelos olhos menos merecedores
Minha dissonância se sobressai
Cada vez parece pior,
mas, na verdade, são todas iguais
achar que já tinha aprendido
e entender que ainda não sei
é o que me dói mais.
Sempre volto com a alma lavada
assim, completamente limpa
de qualquer cicatriz,
(o que não ajuda,
já que não sei o que fiz)
Refaço de novo achando que é a primeira vez
o caminho tortuoso que vai me levar
pro mesmo fim:
Um coração em pedaços,
a ilusão desmentida,
esperança cortada
pela certeza precoce
de uma vida vidrada
numa posse impossível.
Sofrer de amor é minha sina
meu eterno silício
vício meu de cada dia,
Parte integrante do meu ofício
Sem isso não uso páginas,
não coloro rabisco
não crio sentimento ou faço sentido.
Talvez por isso
escolha mal meus objetos de desejo.
É necessário estar fadado
a um certo fracasso
pra que eu aceite oferecer um beijo.
A iminência de sucesso
Me tira totalmente a gana.

- Carol, você está sendo muito radical...
- Ora, benzinho, a razão me acompanha
Quando estou consciente.
Se lhe pareci razoável,
A culpa é da água’rdente.


Sendo assim, apago a luz
Pra que o astro rei a ascenda no leste.
Outro dia virá, e a solução é aceitar que a fila anda:
NEXT!

Carola Bitencourt
12/10/2010

6 de out de 2010

Presente de aniversário do meu querido amigo Augusto Dias:

Srta. Bitencourt

Quase um soneto

Sua missão sempre será fazer arte,
Nos transeuntes o caminho musicando
Feliz por rumar assim por toda parte
Seu coração seguirá nos cativando

Assim, quem sabe, um tanto distraída
Você prosseguirá em seu belo intento
E como o mal-me-quer da margarida
Sua presença sempre será um alento

E será beleza, inteligência e esperança
No teu sorriso sereno como uma criança
Que sempre soube o que seria ao crescer

Filha destemida do tempo com a temperança,
Neta querida do movimento com a lembrança
Futuro do pretérito daquilo que há de ser.

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Feliz aniversário!

Saudades e beijos,

AD.

29 de set de 2010

Acho muito engraçado, cômico, pra não dizer trágico, essa gente que me adiciona no facebook, sem nunca ter visto a minha cara, nem mesmo ter partilhado qualquer opinião pessoal ou virtualmente.
Sinto muitíssimo ter que deixá-los desapontados! Não aceito quem não conheço por uma questão de segurança e de não querer encheção de saco. Na maioria das vezes são criaturas que usam o FB pra jogar Farmville, ou Mafia Wars, e que dependem do meu precioso tempo pra ganhar qualquer prêmio. Levei um bom tempo pra me ver livre disso, sem ter jogado uma vez se quer.
Uso o FB para diversão? Sim. Minha diversão é encontrar nos posts alheios alguma cultura útil ou não, mas que acrescente em algum nível meu raciocínio, minha psiquê, ou que me tirem por um segundo da realidade maciça e trucidante da rotina. Coisas essas, que por experiência própria, nenhum desses DESCONHECIDOS me trará. Já caí na tolice de aceitar solicitações de amizade de idiotas que não conheço, e o resultado foi me sentir tão idiota quanto os vejo.
Ora pois, se esta fosse uma maneira de encontrar pessoas que me valham de alguma coisa, teria tido sucesso nos idos (com a graça do deus do rock) tempos em que me aventurava, na mais pura pré-adolescência, no marasmático rebuliço dos chats anônimos.
Se me cabe dar uma sugestão, o FB poderia classificar em algum link colorido, verde, vermelho e amarelo, aqueles que estão abertos, fechados, ou com o muro em construção.
Ácida! Desculpem-me os que não conhecem ainda minha fama de FRANCA-atiradora. O direito é seu de querer me adicionar sem motivo, assim como o direito é meu de te mandar catar coquinho!
Queridos, o convite de uma amizade, virtual ou não, pra mim, é igual! Imagine a cena: Eu no conforto da minha havaiana, aguardando (sem a mínima paciência) pela minha vez na fila do caixa, e você me vem perguntar, com o maior dos sorrisos, se quero ser seu amigo... Chamo o segurança na mesma hora! Ahh vá!
Se o caso é falta do que fazer: já inventaram o google.
Os "amigos" que tenho no FB, necessitaram, no mínimo, de uma boa dose de simpatia, e alguns neurônios talvez queimados para conquistar, e valeram cada um. Quer ser meu amigo? Valorize seu tempo, e o meu!

Agradecida!

Carolina Bitencourt
29/09/2010

24 de set de 2010

Teste o que atesto.
Queixe-se do meu texto
deixe caído o queixo
Tente colar na testa
beijo bem quisto.
Me peça pra ir a festa
Me faça o ego besta
Encha minha cerveja
Derrame-me na mesa
Experimente expressar
a consistência em que existo
"Goste do gasto" afoito
preencha os pré-requisitos
Mas não me peça pra entender
o que simplesmente não é dito!

Carola Bitencourt
24/09/2010

20 de set de 2010

Pra chegar onde estou
é necessário mais que apreço
Meu preço não é barato
doo sem cobrar
troco mel peculiar.
É preciso mais que berço pra me ninar
meu desejo tem nome
sobre montes.
Quero amigo, umbigo
professor de violão
e uma pista
onde meu avião
se sinta a vontade
pra aterrisar
Todo melhor de mim
está guardado
a caminhada pra achar
a chave vai além da fechadura!
Entenda meus pingos nos "i"s
minhas aspas não estão a toa:
ou mergulho sem orgulho
ou o seco me consome.
Ou entrego por bocejo
ou não quero cume
se o mínimo não for importante
a caneta cessa
e minha voz se cala
canto como quem não tem garganta
mas minha rouquidão
cria mais tijolos
que a sabida muralha
minha China asiática se retorce
e só se mostra
onde a cortina é aberta
gentilmente.
Quero mais que o básico
quero mais força que Sansão
meus cabelos caracóis
me dão mais grito.
Espero não perder tempo
meus minutos são contados
e cada vírgula falada
me trava mais pensamento
que vontade mal satisfeita
Não quero rimar vício
quero entendimento
quero mais conexão do que os cheiros,
quero mais ligação
que desejo mútuo de carne
quero o que posso ter.
TENHO.
só me basta reconhecer
em outra multidão
que minha satisfação
depende somente
do sim, e do não!

Carola Bitencourt
20/09/10

14 de set de 2010

Mente avoada
cabeça cheia
desorganizada
vontade de tudo
pote de ouro
roubo de coração
impulso de salto
quebrado

me gusta
me encanta

robusta porta
estanca
rubro rosto
arregalado
olhos de gato
piscado
cada parte
a mim
interessa

abre aos poucos a fresta
rachadura crescente
na frente da testa

Bebo café pra ver se apago
minha memória falha
ainda me afaga a nuca...

14/09/2010
Carola Bitencourt

1 de set de 2010

Sempre achei que seria interessante ter um blog bem ornamentado, que a configuração poderia dar identidade a página, fazer par com o nome e por conseqüência definir mesmo que aproximadamente o tipo de leitura que se apresenta.
Assim como no blog, ou em qualquer outra tela que o valha, trazemos as primeiras impressões na configuração do layout, como isso pudesse (e até pode) criar uma mensagem instantânea aos olhos alheios. Às mulheres segue um rito quase satânico de corrigir imperfeições corporais com o que melhor lhe cabe, esconder e disfarçar as marcas com uma lista incomensurável de produtos caros, raros e eficazes. Rir de piadas idiotas, e desentender piadas pornográficas por puro puritanismo retrógrado, numa reação automática resultante de anos de proibição e tolhimento tolo. Aos homens é imposta postura decidida pelo desejo feminino, tão autoritário e sutil quanto o machismo que as obriga a desentender piadas verdadeiramente engraçadas e vulgares. Além de estufar o peito, gralhar seus conhecimentos acerca de qualquer assunto, no intuito de cercar seu ego de gente que admire sua sinistra prosopopéia mesmo que o tema seja acne, víscera ou úlcera. – Gentileza hoje em dia é tão somente um SOBREnome de poeta-anarquico-carioca-cristãolisado.
Não nego que me agrada essa postura. Meus amores mais intensos foram efeito da primeira vista. Paixões curtas e inesquecíveis, baseadas nesse layout IN perfeito, maquiado pelo frisson das borboletas de dentro do estômago na apresentação, no “oi tudo bem”.
No blog não me serve mais o colorido decorado, também no masculino não me serve mais o peito estufado e a conversa erudita.
Mudei o layout do blog, acredito agora que o principal e talvez único chamariz deve ser o conforto na brisa da praça, e não seu chafariz imponente no centro dela. Acredito que o principal é o texto e não as bolinhas coloridas que se mostravam fluorescentes aqui.
Continuo me maquiando. Continuo escolhendo as roupas como reais indumentárias. Continuo rindo por conveniência. Continuo me apegando ao frisson do primeiro “oi tudo bem”.
Gostaria de me vestir em completo nu. Mas despir um blog é trabalho demais pra um dia, quem sabe amanhã queimo meu próprio armário?!...

Carola Bitencourt
01/09/2010

23 de ago de 2010

O pé de coração quebrado do meu quintal continua a dar frutos.
Penso em arrancá-lo pela raiz com os dentes, mas aos meus olhos ele se mostra forte e até bonito, como artifício pra me convencer a deixá-lo lá, plantado, esperando sempre minha visita que, ultimamente, tem sido esporádica, mas acaba acontecendo de tempo em tempo, pra substituir o coração que consertei por outro perfeitamente avariado.
Ainda conto com a capacidade cada vez mais desconfiada de atar os micro pedaços, apesar de não saber quando a roleta vai errar o número que escolhi pra apostar todas as minhas fichas. Já perdi um zilhão de vezes e continuo jogando. Toda vez que ganho uma percentagem do que joguei, gasto tudo em bandagem, esparadrapo e anti inflamatório. Assim que acredito ter resultado saudável, levo meu coração fechado pra dar uma volta. Volto com uma volta tomada e reabasteço meu peito com o fruto do meu próprio pé de coração quebrado nascido no meu quintal.

Carolina Bitencourt
23/08/2010

16 de ago de 2010

As roupas assim como todas as outras coisas vão sendo substituídas. Sempre tive essa consciência, mas nunca tinha parado pra pensar nisso, e me peguei entendendo como tudo é mutável. A pele que a gente perde sem perceber, as unhas que crescem e são cortadas, os sapatos surrados, marcados pela caminhada ou pelos passos de dança, o bikini que perde a elasticidade, o livro de português obsoleto, o sofá que troco por um novo, e o antigo vira novo em outra casa, etc, etc.
Hoje atentei para o fato de trocarmos as relações também. Os amigos que continuam por perto, mas não tão juntos, os números de telefone discados que saem em ordem diferente e com menor ou maior frequência, os assuntos que são senso comum e os que passam de boca em boca num off que todo mundo ouve, mas faz de conta que não sabe de nada, os namorados que são sofás, igualmente reciclados de uma casa pra outra, ou de um casal pro outro.
Enfim, me deparei com uma única troca que não me parece interessante, ou que não gostei de ter visto: a troca de uma amizade secular por um corpo escultural e uma honra já estuprada. Esse é um sofá que não proporciona conforto, nem descanso. Machuca as costas de quem se senta e causa danos irreparáveis a coluna vertebral do grupo a que se faz parte.

PS.: Prefiro a feiúra íntegra do que o lindo diabo loiro que se veste de vermelho.

Carola Bitencourt
16/08/2010

16 de jul de 2010

Cheguei no Cachaça pra esperar aquela que parece um carretel transbordante: perdendo linhas...
Peço uma cerveja, espero o telefone tocar, ligo incessantemente pra ela até ouvir a mensagem desesperadora da cx postal, desliga o telefone e me deixa sozinha numa penumbra de calçada, sem outra opção a não ser beber toda a cerveja, já quente da garrafa que pra 1 pessoa é gigante.
Depois de ver uma manada de gringos passando de um lado para o outro, vejo-os entrando no bar dono da minha cerveja, pedindo algo pro garçom que não entende e mesmo assim os atende. 2 das 4 menininhas em seus xadrezes da mesa ao lado vão afoitas tentar ajudar o garçom. A gringaiada as empurra com seu sotaque texano (o que me fez entender de pronto que não haveria boa recepção a quem oferecesse ajuda) e elas voltam com cara de capa de CD do Tom Zé achando e reclamando que eles não queriam beber e sim despejar o que já tinham bebido. Passados minutos mínimos, cada um sai com seus 666 ml gelados individuais, desnecessitando de copos, ao que o garçom insiste em pedir que sejam usados.
Não vi a cara das meninas, nem preciso.
Os brancos gritam velando sua bebida escorregante. Odeio os gritos e ponho meus fones no mais alto ARCTIC pra velar meus ouvidos e vedar meus pensamentos vazantes.
Uma vendedora de olhos pedintes com seus 9 anos, no corpo de 6, para na mesa certa. O branco mais embalado pela ventania passa a mão em sua cintura num gesto que não sei definir se pedófilo ou complacente, mas certamente pedante. Sem espada a menina se esquiva. Um alívio assobia meu suspiro.
Faltam 20 minutos pra minha conta ser fechada.
De lugar, algum, vem duas Skols que não pedi. O branco que coçou o bolso pra vendedora me dá seus restos como se eu os tivesse pedido. Digo, em sua língua pra que seja esclarecido, que não quero! Que não tenho mais tempo e que não mereço ser fotografada sozinha faltando 20 minutos pra partir com 3 garrafas numa mesa sem acompanhante. De nada - adianta.
Vão embora depois de me contar que estão atrasados pro voo de volta pra casa dentro de uma cidadezinha que nem guardei o nome no Canadá.
E de alguma forma não os vejo mais como os idiotas de antes. Vejo-os como os idiotas que já foram.
Fecho minha conta e vou.

Carolina Bitencourt
15/07/2010

22 de jun de 2010

"Choraaaa, não vou ligar! Não vou ligar! Chegou a horaaa..."

Chorar é pouco
broto do verso miúdo
guardanapo guardado no bolso
quase húmido
meio seco de tinta
receitado gota de bica
Ressalto do alto do urro
decidida do beco do morro
Escada por cimento batida

Castigo é não ouvir
dizer sem pasma palavra
letra esmiuçada
cerveja bebida "goelada"
duelo de língua secada
Choraa...
Não vou escrever.

Carola Bitencourt
18/06/2010

15 de jun de 2010

Não falso mais poesia
Refaço textos em papel colorido
imitando cérebro percorrido
meu
Traço sim poder redativo
despretensioso de esperança
equilíbrio certeiro da destemperança
sarna que coça mão viciada
arranca da folha vazia
qualquer querer relutante
em parecer transparente
entre parênteses (armas)
aspas minhas de cada dia
ou
página 1/ unidade cada
Não faço mais poesia
pauso poses de prosa
rosa desbotada
encadernada sem pauta
Pontuo discrepância tardia
madrugada esmiuçada
desfaço fósseis ressuscitados
saído do plástico
pontado esférico preto
por vezes tampado
bic
Belisco roxo peledural
contando em ais melodiosos
melancolia
Relaxo peito cansado.

Carola Bitencourt
14/06/10

18 de mai de 2010

A gente acha que pode se livrar de algumas ideias. Se convence disso e segue dando passos. Se esquece delas, e faz de conta que não se lembra.
O desejo é um bicho cupim, não carpinteiro. O carpinteiro constrói coisas, o cupim se alimenta delas. O desejo se alimenta das ideias. Come-as como mendigo seco em banquete gratuito de comida refinada. Come por fome e não por apreciação.
Se na segunda a vontade é não ter TV e se aconchegar a fogueira interna pra fugir do frio, na sexta a vontade é se jogar na fogueira, fugir do interno e abrir o mundo subterrâneo.
Há quem diga: Maravilha!, é isso o melhor de ser humano, pensante, "escolhedor".
Pra mim, só tenho bichos cupins. Mudar de ideia é mais uma maneira de desperdiçar todo o esforço derramado em prol do objetivo que um desejo, já retrogrado, me ofereceu.
Felicidade é mais um nome/lugar como Atlântida, UnderLand, Triângulo das Bermudas. Utopia de quem se encharcou nas gotas de Lucy in the Sky with Diamonds, e achou que nadava por lá por dois segundos.
Querer é o que aprendemos primeiro. Nascemos querendo. Leite, sono, abraço, calor, TV LCD, Jacuzzi, Camarão VG, Show da Madonna, primeira classe, bons sonhos, um amor inesquecível recíproco, comida de vó pela vida toda, saltar de paraquedas, reconhecimento profissional, casa no campo, na praia, em Ibiza e um AP em NY...
A gente nasce, cresce, fica rico (ou morre depressivo) e depois morre feliz. (Hã?)Pra que isso tudo????
Não vou virar hippie, já tentei na adolescencia e não deu certo. Quando percebi que não tinha restaurante japones no Sana, o desespero foi do mesmo tamanho e proporção que o prazer de comer um salmão cru, bem fatiado, e sem que eu tivesse gastado mais que a energia de levantar o braço e chamar o garçon. Não consigo virar hippie, mas tenho inveja daqueles que são e ainda conseguem ser limpinhos. Preocupar-se somente em alimentar-se bem, ter filhos, e viver basicamente de amor (a música, a arte, ou a qualquer coisa que nós, meros capitalistas, conseguimos consumir) seria realmente um feito e tanto. Afinal, no fim da redundância, SER HUMANO é grupal. Quem vive sozinho está em outra classificação animal, não serve nem pra ser cupim.

4 de mai de 2010

Não sei como julgar verso
Não sei conjugar verbo
por isso mesmo berro
diante da gramática sintética
da
linguagem sem fonética
da
métrica estética
pregada sob percevejo de ferro
no meu quadro de cortiça

sou omissa com a ética
voto branco da bulímica
nem um pouco policial

Peco pela correção política
(politicamente incorreta)

Certa mira dislexica
que se atem a ira.
suficientemente preguiçosa
pregando sulfúrico
pingo cristalizado
sentimentalista

Página branca e caneta
sem web, mais gazeta
sem etiqueta, nem tag
nem Meg, nem spotlesseira

Odeio a vida iníqua de algumas letras
e choro pela morte das palavras obsoletas.

Rimo, remo, remember-ei!

Acento circunflexo
no trema depois do hífen de

...........^
NÃO-SEÏ

Carola Bitencourt
03/05/10

28 de abr de 2010

ANTES

MEU ESCREVER

ERA JORRO ESGUICHADO

DE UM LADO A OUTRO DA PÁGINA

ANTE AS LINHAS

UMA MÁQUINA

MEU CÉREBRO EMINHOCADO

AGORA...

TORNEIRA COM REGISTRO DESREGULADO

PINGA, GOTEJA PALAVRA POUCA

TORNEI POSSA

O POSSO ARTESIANO

CAVUCANDO QUASE INTEIRA

CADUCA DE AFANOS

O CASAMENTO DAS LETRAS ME ACENA

DEBOCHADO!

Carolina Bitencourt
21/03/06

18 de abr de 2010

Saí de casa correndo, querendo aproveitar ao máximo as horas que tenho. Acabei esquecendo o celular.
Me sinto nua, como se nada tivesse além de uma língua muda.
Estranha sensação rara, já que nunca esqueço do aparelho que me parece segunda boca e um terceiro ouvido.
Como se faltassem mãos para acenar ao avião que passa acima da ilha onde naufraguei.
Como podem esses pequenos montinhos de ferro, pedra e plástico ser tão imprescindíveis a ponto de nos sentirmos amputados quando nos faltam companhia?
"Diga-me com quem andas e eu te direi quem és."
Será que virei objeto eletrôMico?

Carola Bitencourt
22/02/10

16 de abr de 2010

Sexta

São chances várias. Incluindo a de não haver sucesso algum. Trabalho com a hipótese de existir comemoração em qualquer uma delas. Caso meu objeto de desejo se quebre, o desejo continuará intacto. Em tempo, haverá nova fórmula previamente arquitetada para bom final. Em um único dia, ou noite, serão 3 possibilidades, certamente usadas até sua totalidade, se alguma fracassar:
Primeira: Dar de comer aos tigres. Um só, pra ser mais exata. Saciar minha própria vontade de doação, meu ímpeto em ajudar terceiros, simultâneamente agradando a mim mesma.
Segunda: Rodopiar em corda bamba de luz negra, pendurada ao globo de mozaico prateado de algum já definido cômodo público escuro, abastecido o suficiente de diversão líquida, lícita e gelada. Enquanto embalada por trilha governada por acordes gritados e remexidos por mãos controladoras da mecânica. Então, talvez, no fim, encontrar outro tigre que não o objeto 1 para alimentar e arriscar a proximidade das garras.
Terceira: Descobrir antes do começo da maratona que o prêmio não será entregue por burocracia democrática capitalista, e criteriada especificamente na estética atual, percebendo assim que mais vale descansar os músculos, escaldar pés em baldes de pipoca temperados a guaraná, com toques de qualquer tipo de guarnição preferencialmente gordurosa. Com o fim Balsâmico das cordas e sons de um aparelho erudito usado pra difamar pontas de dedos e ouvidos roucos. Ainda/mesmo/porém bem escolhido como companhia a altura antes da derradeira certeza de que todas estas possibilidades jamais trarão plena satisfação.
Afinal, amanhã é outro dia,
a vontade é mais outra
e o tempo sempre trará novas sensações almejadas...

Carola Bitencourt
15/04/10

17 de mar de 2010

Adoro Detesto

Odeio sua sensatez mulambenta
odeio sua presença negligente
odeio seu discurso puro indecente
odeio seu cafajestismo fofo
seu sorriso torto de noite comprida
odeio sua razão disléxica
odeio sua irreverência estética
odeio seus sentimentos estáticos
odeio sua paixonite fanática
odeio suas palavras sem fonética
suas historinhas matemáticas
odeio seu hábito esporádico
seu cinismo enfático
sua dor camuflada emblemática
odeio seu poder de explicação
odeio seu transparente reflexo
odeio sua risada sorumbática
odeio seu amor inconsciente
sua certeza dubitável
seu rosto exclamando inexpressão
odeio sua genialidade
odeio sua inteligência
odeio sua capacidade de repor formas
odeio seu temperamento profundo
odeio seu charme vagabundo

SÓ AMO VC POR SER TUDO ISSO!

Carola Bitencourt
Para o meu querido amigo Tomas Paoni, a quem agradeço pro ainda me fazer acreditar que poesia existe, pelo menos a que ele escreve!

12 de fev de 2010



Se PARATY é para mim,
Voyage num veleiro
até MARTINS
que
Virgem de barulho, de nóia, ...
only capim
Mato que não mato
Verdelejo ladrilho de banheiro
só há
beleza sem fim.
Passa-se 5 dias ligeiros
como quem passasse ano inteiro
a se perder no mar
perolado mais que azul
descanso só esteira forrada
em areia cristalizada.
Vulto imagem marcada
de cada volta rodada
e um coração lavado e renovado
por água de sal(picada).

Carola Bitencourt
de hoje

9 de fev de 2010

Fico com a marca colorida
de um prazer viciante
sem ter em mim, dentro
uma vírgula se quer
de curvada submissão.
Nem raiva, nem carinho
Dando inúmeras pernadas
pra no fim rever
cada porta fechada
pra causar paredes em volta
mais a vontade
despir o respeito histórico
sem sair do contexto prático
de toda voz da nossa retórica
Reverso do teu urro
berro mono silábica aguda
sem medo, sem erro
sem revés
Atravesso dias.
lembrando em cada estaca
a parede retilínea escalada
suplico sem vergonha
por teu severo beijo.
Pelos dedos cravados
na nuca que você repele.
Travo batalhas
cavalgadas na sua pele
toda entrada parece sem saída
a ré engatada
desembesta uma fera
calada visível só
no interno do olho
que te ataca
sem que você revide
Você gosta do nosso gasto
e muda de opinião
quando bate o cansaço.
Passado um dia, ou dois
três tempos, ou distância
de cais TWO cais
Volta batendo vela acesa
sem pedir licença
escancara minha porta
e dá de cara comigo
sempre a sua espera...
sem dizer palavra
QUERO! e já é sabido
sem perguntar te aviso
que mais vejo eternidade
que fim correto
nesse aberto sorriso
que de certo não tem nada
além do meu pedido:
FICA, mais dentro
enquanto intenso
meu risco.
Sismo tua sina
Minha cena, seu petisco
meu perigo, seu agrado
minha dor, seu enfado
idônea, nossas "dez graças"
Adônis, meu marido
Vênus, sua deusa
nos vêem nus
em cima das cartas
embaralhando a mesa
Não há coerência,
nem paciência rotineira
nos jogamos como dardos
sem lembrar do príncipe
a quem responsável cativa!

Carola Bitencourt
pensando em uma onça pintada!

4 de fev de 2010

Iniciante

Com tanta coisa rolando na rede, virei mais um peixe. Ao menos essa não é limitada, e entre uma cambalhota e outra dá pra achar alguma coisa que sirva. Pode não ser um salmão, mas uma sardinha em conserva bem feita também alimenta o paladar.
Fato que sinto estranho dialogar com um monitor via milhos letrados sabendo que provavelmente, e assim espero, outros monitores serão preenchidos com o que contém essa tela colorida na minha frente. Mas, mais frisante de cabelos é saber que ainda poderá ser avaliado. Para isso, guardo minha poção anti-desanimo, feita a base de Paulo Leminsky, Augusto dos Anjos, e espécies raras do tipo, tratados da mesma maneira no início de suas exposições pessoais como não compreendidos (Não que me compare a eles em qualidade, somente pelo extermínio da timidez).
Quanto ao nome do Blog, aos que me aturam há tempos, fica fácil associar a acidez a minha personalidade. Aviso aos novos navegantes da corrente fluvial dos meus neurônios riscados nessa vitrine, que não esperem unicamente por postagens azedas, haverão mais que trocas de Elétrons e Íons, Eletrônicos e Tons.

Next!

Carola Bitencourt