11 de abr de 2017

Fico vendo suas costas
editando curta distância
antes mesmo de estar posta
na ilha ao lado da cama
atenta a essa historia
quase haikai de tão recente
quase saio em transe
quando transo seu poema
ponho-me em teste
atestando teimosia
tentando treinar em trote
novo tema, arritmia

minha mania de rimar
expressa bem esse momento
obrigação de escrever,
mesmo que só pra passar os minutos
meu íntimo quer registrar
indagar porquê de tu
agora que tudo me vem
tão leve como quem se contenta

Carola Bitencourt
12/04/2017


7 de mar de 2017

Aquela

era sua poesia

falar

enquanto fudia



Aquarela
jazida
ia devagar
agarrava a cama vazia
Ouvia os gastos
sarava o vago vácuo
curava as teses toscas
outras horas
satisfazia
as vidas e vindas

Carola Bitencourt
07/03/2017

7 de fev de 2017

Passar pelas ruas do Rio, no começo de Fevereiro, nesse pedaço ermo de fronteira entre bairro parque praia, escuro varrido de folha seca amendoeira, espécies... repleto de vazio insegurança ar de verão com uns gatos pingados a esmo, uns cachorros pintados magros... Nem parece que daqui uns dias tá tudo coberto de gente. Um tapete de pele colorida com pó, cerveja, suor deslisante e gritos decorados na embriaguez, aqueles nacos de refrão destilados gelados com calor a vapor. Pouco  se acredita ver tanta sorte de povo alegre ou as torturadas almas serelepes se pegando sem considerar amanhã durante a noite ou transcorrendo sem dormir horas inteiras sedentas pela próxima batucada batida a próxima corrida ou a mesma sangria desatada pelos blocos de metal gigantes circulando no asfalto quente, aliviado por sombras escassas disputadas a bunda, cotovelo, sorriso maroto e piscadelas de gentileza. Quem diz que se inunda de som rasgado de palheta voz nylon baqueta qualquer objeto atrito barulhento que se encontre a frente ou à mão acompanhando sem compasso ou com o que tão na hora bradando? A confusão distinta por metros de distância entre um monte caminhando e outro dispersando entre encontros frustrados e novas amizades espontâneas, a náusea faminta por massa ferro hidratação ou refrescância. Nem parece que é bonito, gostoso, ou dá saudade, mas é, é, e dá.
Passando por essas ruas a esses minutos de agora nem parece, Má aparece nos dias certos pra ver se tu não se solta e volta todo ano, passa?

Carola Bitencourt
06/02/2017

30 de jan de 2017

Já sei o filme pra próxima sessão
em francês com legenda português,
já que o espanhol deve ser congelado
Já pensei 4 vezes em te mandar
mensagens fofas, perguntas curiosas e à merda
rasgar seu contato virtual
vigiar minha vontade de ver seus vícios
criar umas barreiras mais habituais
que aquelas que te dei pé-pé pra pular pra dentro
de mim, de mis sueños, de mis cosas bellas
proibir de verdade sua mania de chamar reina
por permissão sem originalidade
desertar sua estadia nas ilusões que ascendo

Já pensei 10 vezes em escrever essa poesia
sabendo que nunca te vas a leerla
lejos de nosotros como me hay dijo
sin que pudriera escucharlo
Já sei a película da próxima sessão…

vos no te vas a saber

Carola Bitencourt
30/01/2017

24 de jan de 2017

vídeo com preta ganhando na cara dura: realista! eu já vi
gente que faz feitura fatídica à vista e sem CGI: também,
quase tortura pra quem não consegue: "é ruim"
um pouco de tapa na cara como mal
parece que tem mordaça...
Carece entender o ferrolho da bola de ferro
parece com paz-macera de quem tinge a voz com berro
erro de quem se diz dono,
ferro de quem se faz trono
o game fica pra trás quando se lê historia
quem não esquenta a barriga no fogão
não se refresca na pia
piegas o ser que acha que pode sair no pio
crente que jaz o assento de falo
na placenta que cria

Quando seremos igualitários?
Quê passa na fronteira do lado
que aqui se espia?
todo esse notar temerário acaba sentando na mesma pik@
pouca
que agora oca ecoa transita e se esvai sombra fraca
retarda
quer segurar
mas não cala
nem calça, quem dirá calcanhar sangrado
quem quiser que tente
vai ser outra pedra
sem guardar semente!

Carola Bitencourt
25/01/2017

14 de nov de 2016

queria um abraço
a bela feroz do laço
não deixou rastro de presa
sem pressa, sem amanhã, sem sorte de coisa
nem uma mesma besta se solta
agora o troço uiva vadio e torto
um mastro de algorítimo morto
uma voz sem estrofe,
ou mesmo uma hora de horto
quando tudo for manhã
futuro certo de uma diva mal diná
feiticeira
seremos chocolate derretido
e um pouco de coco calado
enquanto tremem as vielas
decantados is fondues de panelas
foudis com a vida dos melaninos
e a nossa via, trela
atolada em comi-elas
as veias do sarado dorso
continuam exaltadas,
moço sopro
viva como se fosse esse outro
a dividir sem sua consciência
o mesmo oxigênio

Carola Bitencourt
14/11/2016

29 de ago de 2016

Comecei a fumar o tabaquinho, desses que vendem na rua. Tudo separado e tem que montar peça por peça. Parece lego e faz você parecer funcionário da Philip Morris década de 40, onde quer que vá, ou um morto muito louco trocando as pernas, montando, andando, tropeçando. Montando.

Até aí, tudo bem. Montou, fumou, tem recompensa. Começa a desenvolver habilidades manuais incríveis, descobre que todos os dedos tem funções nunca exploradas, separadamente, um por um.

Como o texto é curto e a receita do miojo já rolou, vou dar dicas:

Dica 1: Pratique o desapego. Aqueles cabelinhos soltos que vão se perdendo no caminho, fazendo falta ou não, jamais voltarão pra você. Despeça-se sem preocupação. Foi com o vento.

Dica 2: Jamais perca esta ordem: Seda, Filtro, depoooois o tabaco. Do contrário tu tem que pedir a terceira mão do coleguinha do lado e se não tiver perde o trabalho todo de já ter colocado tudo na seda pra achar o pacotinho de filtro, ou achar aqueles já despejados junto com os fiapos dourados. É tudo programado.

Dica 3: ISQUEIRO!! Seu melhor amigo – mais que aqueles que te mandam meme de whatsapp no dia 21/01 ou do 07, nunca lembro essas datas... – ISQUEIRO! Você não será o mesmo quando estiver sem. Já faz um estoque em casa. Não vai ficar fazendo de conta que é mania de colocar no bolso. Todo mundo tá na mesma que você nesse esquema do amigo número 1.

Dica 4: Pode ser, ou não, vc que sabe. A cartucheira pode ser uma importante aliada. Faz uma diferença enorme naquela hora de achar todos os itens, as pecinhas pra montar. Mãos livres. Livre-se do peso no ombro. Vale a pena.

Deve ter mais um monte de dicas, mas o cigarrin acabou. Antes de chegar no filtro, claro. Agora só dá tempo de fazer um miojo (bhléee)! 

Mais informações no próximo perrengue. Bja

Carola Bitencourt

28/07/2016